“O Princípio do Gesto – Manuel Cargaleiro” marca o início das celebrações dos 100 anos do nascimento do Mestre
A Fundação Manuel Cargaleiro deu início às comemorações do Centenário de Manuel Cargaleiro com a inauguração da exposição "O Princípio do Gesto – Manuel Cargaleiro", no dia 27 de junho de 2026, no CIART – Centro de Interpretação de Arte Rupestre do Vale do Tejo, em Vila Velha de Ródão. A mostra assinala o regresso simbólico do artista ao território onde nasceu e marca o arranque oficial de um vasto programa comemorativo, que foi apresentado ao público na Feira dos Sabores do Tejo.
A exposição "O Princípio do Gesto", organizada pela Fundação Manuel Cargaleiro em parceria com a Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão, reúne um conjunto de desenhos a tinta-da-china sobre papel e cartão, placas de xisto pintadas a óleo, azulejos e placas cerâmicas esgrafitadas, provenientes da Coleção da Fundação Manuel Cargaleiro. A mostra estabelece um diálogo singular entre a obra do mestre e o contexto patrimonial do CIART, espaço dedicado à arte rupestre do Vale do Tejo, criando uma ponte conceptual entre tempos, linguagens e formas de inscrição.
Segundo Gonçalo Garcia Magano, Diretor da Fundação Manuel Cargaleiro e curador da exposição, a narrativa da mostra não se constrói a partir de uma lógica biográfica ou comemorativa, mas antes de uma hipótese conceptual: “(…) a de reconhecer que o gesto — enquanto forma de inscrição, de construção e de pensamento — permanece como um dos fundamentos da criação artística.”
A exposição estrutura-se em dois momentos distintos. O primeiro apresenta desenhos de grande economia estética, onde a redução formal permite evidenciar a gestualidade na sua expressão mais direta, acompanhados de placas de xisto que introduzem uma dimensão material e simbólica, aproximando o gesto de uma ideia de inscrição que ultrapassa o plano do papel. O segundo momento desloca o gesto do campo do desenho para o da materialidade, através de azulejos e placas cerâmicas esgrafitadas, onde o gesto se afirma como ação física sobre a superfície, numa lógica próxima da gravação e da incisão.
A escolha do CIART como espaço de acolhimento à exposição inaugural das comemorações do Centenário não é arbitrária. Trata-se de um regresso simbólico à terra natal do artista e de um reconhecimento do território enquanto lugar de memória, identidade e permanência do gesto humano através dos tempos. A exposição integra-se no percurso expositivo do CIART sem se sobrepor ao discurso existente, mas introduzindo uma nova camada de leitura que convida o visitante a reconhecer, na obra de Manuel Cargaleiro, a permanência de um gesto que, desde sempre, acompanha a necessidade humana de representar.
Horário de verão (1 Maio a 30 Setembro):
Terça a sábado - 10h00-13h00 | 14h00-18h00
Domingo - 10h00-13h00
Últimas entradas: Manhã - 12h00; Tarde - 17h00
Encerra domingo de tarde e segunda-feira